Como o SinTPq começou

(foto: Assembléia no CPqD - 1998)
Apesar de ter nome e sobrenome, data e local de nascimento, o SinTPq não nasceu em uma, mas em várias empresas. E não teve uma, mas várias datas natalícias para trabalhadores de bases diferentes. Isso porque o SinTPq de hoje é o resultado da união através desses dez anos de vários trabalhadores do ramo de pesquisa ciência e tecnologia.
A raiz mais antiga do Sindicato, e responsável por sua fundação oficial remonta a 1987. Naquele ano os trabalhadores do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás, em Campinas, interior de São Paulo, sofriam de um problema trabalhista crônico: o seu plano de carreira, cargos e salários (PCCS). O PCCS, que era aplicado igualmente a todas as empresas do grupo Telebrás era inadequado a um centro de pesquisas além de ser autoritário e obsoleto. As regras para avaliações, preenchimento de cargos e ascensão, por exemplo, não eram objetivas e não havia relações entre as suas diversas partes. Como resultado, a própria empresa aplicava muito pouco do PCCS, tornando-o praticamente inútil.
Ao mesmo tempo, fervilhavam no CPqD várias propostas políticas destinadas ao setor de telecomunicações. As idéias, porém, não contavam com um espaço propício para serem debatidas, e não existiam mecanismos para que fossem levadas adiante.

(foto: diretoria do SinTPq /1994)
Esses dois obstáculos foram a semente do que se tornaria o embrião do SinTPq. Em 30 de junho de 1987 era fundada a Associação dos Funcionários do CPqD (AFCPqD).
Se a AFCPqD não conseguiu resolver o problema do PCCS, na questão da produção de política ela superou expectativas. O grupo de política tecnológica da Associação tornou-se uma referência nacional pelo alto nível de suas propostas, tendo seus trabalhos citados em várias publicações até os dias atuais.
Quanto às questões trabalhistas, continuaram sendo tratadas pelos dois sindicatos que representavam os trabalhadores do Centro. Para os funcionários da Telebrás havia o Sindicato dos Trabalhadores em Telefonia (Sintetel). Já os trabalhadores que faziam parte da mão-de-obra contratada, a chamada MOC, (contratados através de instituições terceirizadas) eram representados pelo Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio (SEAAC) que, devido à extensão do nome e ao grande número de categorias que abrange, foi apelidado de "Sindicatão".
A Associação do CPqD acabou gerando um pólo de discussões em torno do tema C&T, participando inclusive do movimento SOS-C&T. E abriu-se um espaço maior para as discussões trabalhistas também. Os trabalhadores do centro elaboravam Pautas de Reivindicação na época de campanhas salariais, participavam das assembléias e via de regra saíam frustrados com a atuação dos dois sindicatos.

(foto: greve CPqD/Telebrás - 1997)
"Na verdade, os trabalhadores pagavam para os sindicatos assinarem a proposta da empresa", denuncia Adelino Manuel Cabral, engenheiro do CPqD. "Não havia discussão e a nossa pauta era simplesmente ignorada", completa Cabral. Com o aumento da tensão, começou-se a pensar na criação de um sindicato próprio e voltado para as questões específicas da área de Ciência e Tecnologia. "Começou-se a colocar algumas cartas na mesa," conta Euzébio Mattoso Berlinck, advogado e funcionário do CPqD na época, "não havia, por exemplo, como resolvermos questões trabalhistas apenas com a Associação dos Funcionários."
A gota d’água deu-se em junho de 1990 quando o então governo Collor anunciou o corte de 10% de pessoal das empresas públicas e de economia mista, sob o pretexto de "moralizar" o serviço público. O resultado foi o corte no CPqD de 70 pesquisadores, muitos dos quais renomados e com grandes serviços prestados ao desenvolvimento da tecnologia nacional. A indignação gerada entre os trabalhadores, porém, não teve o respaldo dos sindicatos que os representavam.

(foto: Piquete no IPT - 1980)
A partir daí ocorreu uma mobilização de vários trabalhadores preparando o terreno para o nascimento de um sindicato. E para dificultar as coisas, tudo tinha de ser feito na clandestinidade porque a direção do CPqD não deixava dúvidas que os envolvidos em tal processo poderiam sofrer uma demissão sumária. (foto: assembléia CPqD - início da década de 1990)




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