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Engenharia brasileira tem o desafio de retomar empregos e investimentos

Copa do Mundo, Olimpíadas e PAC fizeram a engenharia brasileira crescer / Danilo Borges e Gabriel Fialho Copa do Mundo, Olimpíadas e PAC fizeram a engenharia brasileira crescer / Danilo Borges e Gabriel Fialho

O ano de 2019 não foi suficiente para a retomada da atividade econômica e do emprego no Brasil. Com os baixos índices de crescimento na indústria e construção civil, a engenharia brasileira custa a se recuperar após a Lava Jato. O cenário pode piorar na medida em que não existe uma política de retomada dos investimentos e que a agenda econômica passa pela privatização.

O Brasil tem mais de 1 milhão de profissionais engenheiros e engenheiras espalhados em diversos ramos de atividade. O Paraná tem 61.085 engenheiros com registro válido no CREA-PR. A engenharia brasileira é a ponte para o desenvolvimento e a crise econômica é a barreira para os empregos dos engenheiros. Se de um lado, a indústria de transformação e a construção civil abriram as portas, de outro, depois de 2014, a queda de empregos ocorreu, sobretudo, na redução de investimentos em obras públicas e estruturais, além da reforma trabalhista.

“No Brasil, a Reforma Trabalhista institui uma intensa precarização das relações de trabalho, expandindo a informalidade e o rebaixamento dos salários. A superação da crise se dará com valorização da engenharia nacional, com investimentos públicos em infraestrutura e uma economia com a presença do Estado e da soberania”, destaca Clovis Nascimento, presidente da Fisenge.

Do boom à estagnação

Quando analisada a origem do investimento público, percebeu-se que, em todos os anos, que o boom se deveu, em sua maior parcela, aos investimentos com origem nas empresas públicas da União, tendo atingido 1,9% do PIB em 2010 e 2013. É o período de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa, Minha Vida, obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

“A ocupação total de engenheiros começou a cair em 2016, após atingir o maior patamar em 2015 (504 mil engenheiros), um ano depois do início da queda do número de vínculos formais da engenharia, que chegou a registrar 262 mil vínculos em 2014”, anota o livro “O mercado de trabalho e a formação dos engenheiros no Brasil”, produzido pela Fisenge e DIEESE.

Os engenheiros reconhecem o papel central do Estado Brasileiro. Pesquisa realizada durante a 76ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA) apontou que mais de 80% dos engenheiros são a favor do papel do Estado na estratégia de desenvolvimento do país. A análise ainda perguntou sobre atuação profissional, posicionamento político, expectativas para o mercado de trabalho da área e conhecimento sobre a tramitação da PEC 108/2019. 77,4% se mostram contrários à proposta.

Em relação ao cenário econômico, 44,3% dos engenheiros acreditam que tende a melhorar nos próximos 2/3 anos, enquanto 25,5% esperam que se manterá estável e 23,9% confiam que tende a piorar.

Contudo, os números atuais contrariam qualquer otimismo. Para o DIEESE, que analisou a atividade econômica entre 2018 e 2019, o cenário é de uma economia em semi-estagnação. Apesar de alguma melhora nos investimentos e no consumo das famílias, o recuo de gastos do governo e as variações negativas da indústria de transformação indicam que esse baixo dinamismo deve continuar.

“Vai se consolidando um cenário, para 2020, de crescimento vagaroso, em meio à incerteza sobre os rumos da política econômica: o “novo normal” da economia brasileira é crescer a taxas mais discretas, insuficientes para sustentar a expansão do emprego assalariado formal”, frustra o Dieese.

por redação Portal Brasil de Fato - Curitiba | Edição: Pedro Carrano

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