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Editorial: Por que nos posicionamos sobre política?

Acompanhamos nos últimos meses o desenrolar de uma grave crise política em nosso país. Não faltaram atos, mobilizações, debates e inúmeras formas de manifestação em grupos pró e contra o impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Neste e em outros canais de comunicação, nos manifestamos inúmeras vezes apontando nosso juízo acerca do tema e, naturalmente, foram inúmeras as respostas que recebemos, apoiando e criticando a posição do sindicato. Eis a razão deste texto.

O SINTPq acredita e defende a democracia. Em todas as empresas da nossa base (veja relação aqui) realizamos assembleias e reuniões anuais de campanhas salariais. Não importa se a empresa tem 900 ou 10 funcionários. Não importa se nela há 300 ou 3 sindicalizados. Ouvir e representar o desejo da maioria é um valor que praticamos e aperfeiçoamos com os erros e acertos.

Por acreditar, praticar e defender a democracia é que tomamos posição contra o processo de impeachment. Isso, no entanto, não significa que todos os trabalhadores representados pelo SINTPq pensem o mesmo. Não desejamos impor nossa visão acerca dos fatos para trabalhadores, mas sim apresentar uma contribuição ao debate social.

Os salários, as diretrizes profissionais, o desenvolvimento tecnológico do país passam, obrigatoriamente, gostemos ou não, pela política. O SINTPq, portanto, não se afasta ou isenta de debates políticos, mas o faz justamente em defesa dos profissionais que trabalham nas empresas de sua base.

As movimentações políticas que depõem contra a democracia e o estado de direito como um todo também ferem de morte inúmeros direitos dos cidadãos. É justamente neste diapasão que o sindicato deve se posicionar e defender, sobretudo, o direito dos trabalhadores.

Assistimos os maus políticos diariamente praticarem a manipulação da verdade e a defesa dos seus interesses escusos em detrimento dos interesses e da vontade da grande maioria do povo. Acreditamos que só a participação popular poderá mudar isso expulsando do cenário político, aqueles que não têm qualificação para representar a população honesta e trabalhadora.

Um dos principais filósofos da atualidade, professor do curso de Justiça em Harvard, Michael Sandel, afirma que as pessoas, e os políticos, estão isentando-se dos debates sobre moralidade, justiça e bem comum em sociedade e, consequentemente, diminuindo a noção coletiva de democracia.

Não acreditamos que a sociedade e a política serão melhores por que nos isentamos de opinar. Pelo contrário, defendemos a participação ativa de cada entidade e cidadão em processos políticos, seja em seu local de trabalho, condomínio, bairro, encontrando maneiras de discutir e melhorar a vida coletiva em sociedade.

Por isso, além de nos manifestarmos sobre a conjuntura política nacional, também participamos em Campinas do Conselho Municipal de Meio Ambiente, do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia e já participamos do Conselho Municipal de Saúde. Em São Paulo, além do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, também construímos a Frente Parlamentar em Defesa dos Institutos e Fundações Públicas de Pesquisa de São Paulo.

Continuamos respeitando os que constroem uma visão de mundo diferente e, abertos ao franco e produtivo debate em prol de um Brasil melhor, mais justo e inclusivo. 

Última modificação emSexta, 02 Junho201715: 10 - C2017631000000Sexta30America/Sao_Paulo 033030p://p03p.6America/Sao_Paulo30/06pm6000000pmSexta/p30_798R/f00000062017-06-02T15:10:31-03:00301020176.02pm30America/Sao_Paulo.p03p
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