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Editorial: SINTPq e a luta dos caminhoneiros

Na última semana, o Brasil acompanhou os impactos da paralisação de uma das categorias mais importantes do país, os caminhoneiros. Insatisfeitos com os constantes aumentos no preço do diesel e nos custos de sua atividade, esses trabalhadores evidenciaram como nosso setor petrolífero está sendo conduzido de maneira irresponsável.

O principal motivo da atual crise é a nova política de preços da Petrobrás e seu desmonte estrutural, iniciados após o golpe de 2016. Pedro Parente, presidente da estatal e ex-ministro de FHC durante o “Apagão”, implementou uma política que reajusta os valores dos combustíveis conforme as variações do mercado internacional. Dessa forma, qualquer oscilação cambial ou no custo do barril de petróleo é repassada diretamente aos consumidores, com reajustes praticamente diários. Além disso, Parente também reduziu a atividade das refinarias e passou a exportar petróleo cru enquanto importa derivados, jogando o país, mais uma vez, na condição de colônia exploratória.

Essas mudanças na condução da estatal é resultado de uma política neoliberal implementada no atual governo. A Petrobrás foi criada para regular o setor energético e atender, primariamente, os interesses nacionais. Com a política econômica de Michel Temer e sob o comando de Pedro Parente, a empresa deixou de exercer esse papel, sendo gerida como uma companhia privada.

Nossas plataformas de extração agora são desenvolvidas fora do país. Investimentos foram cortados, postos de trabalho destruídos e ativos da estatal estão sendo vendidos por frações de seu valor. Aqueles que defendem a privatização da Petrobrás, podem agora ter uma prévia de como a estatal seria gerida seguindo a lógica do mercado e quais seriam os reflexos no bolso do consumidor.

Por todos esses fatores, a reivindicação econômica dos caminhoneiros é justa e pode desencadear outros movimentos paredistas, conduzidos por diferentes categorias que também estão sendo atacadas pelas políticas atuais. Independentemente de quem iniciou a mobilização, ela ganhou força, obrigou o governo a ouvir suas reivindicações e obteve avanços. Isso mostra que a luta coletiva traz resultados, sendo a principal arma da classe trabalhadora na defesa de seus direitos.

A greve nos faz perceber que o trabalhador é o responsável pela geração e transporte da riqueza produzida. Portanto, não há mais espaço para gritos de “vagabundos” e ofensas preconceituosas, comuns em greves de outras categorias. Os trabalhadores e trabalhadoras paralisam suas atividades por motivos justos e apenas quando todas as possibilidades de diálogo foram esgotadas. Exemplos dessa realidade foram vividos recentemente na base do SINTPq, com as greves realizadas na Amazul e no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

Com os recentes retrocessos nas condições de vida dos trabalhadores, greves e mobilizações serão cada vez mais comuns e necessárias. Se a sociedade brasileira deseja superar o ciclo de ataques que lhe é imposto, deve, mais do que nunca, estar disposta a seguir o exemplo dos caminhoneiros.

Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

Última modificação emQuinta, 07 Junho201815: 05 - C2018612000000Quinta30America/Sao_Paulo 033030p://p03p.6America/Sao_Paulo30/06pm6000000pmQuinta/p30_795R/f00000062018-06-07T15:05:12-03:00300520186.07pm30America/Sao_Paulo.p03p
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