SINTPq repudia ação da PM na USP e denuncia violência contra estudantes na reitoria
Sindicato aponta repressão como inaceitável e cobra apuração dos fatos e retomada do diálogo.

Foto: Reprodução / Conlutas
O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) manifesta repúdio à ação da Polícia Militar que resultou na retirada de estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital, na madrugada do último domingo (10). A operação, realizada por volta das 4h15, mobilizou cerca de 50 policiais para desocupar o saguão ocupado desde o dia 7 de maio. De acordo com relatos dos estudantes, houve uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, além de agressões físicas durante a saída, o que teria deixado ao menos cinco feridos. Quatro estudantes foram detidos e posteriormente liberados após registro de ocorrência no 7º Distrito Policial, na Lapa. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou que a ação foi conduzida sem registro de feridos e apontou danos ao patrimônio público no local.
Para o SINTPq, a ação policial dentro de uma universidade pública representa uma grave escalada autoritária e um ataque direto ao direito de organização, manifestação e luta da juventude, especialmente das filhas e filhos da classe trabalhadora que historicamente enfrentam barreiras para acessar e permanecer no ensino superior. O sindicato considera inadmissível o uso da força como resposta a reivindicações legítimas e denuncia a violência praticada contra estudantes como expressão de um projeto político que criminaliza a mobilização social e tenta silenciar vozes críticas dentro dos espaços públicos.
A reitoria da USP declarou não ter sido informada previamente sobre a operação e afirmou que a decisão partiu da Secretaria de Segurança Pública, ligada ao governo estadual. Em nota, a universidade lamentou o ocorrido, repudiou a violência e afirmou que “nada substitui o diálogo, a pluralidade de ideais e a convivência democrática”. Também foi reaberta a possibilidade de negociação com os estudantes.
Já as presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP, em nota pública divulgada no mesmo dia, manifestaram “profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes”, destacando que a presença policial como resposta a reivindicações não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários e defendendo a mediação institucional e o respeito aos direitos humanos como princípios fundamentais da vida acadêmica.

Foto: DCE USP
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