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A ciência perde quando as mulheres ficam de fora

Baixa representatividade feminina em STEM compromete a inovação e o avanço científico

11/02/2026

Por Lara Nave

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O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas ( ONU ) em 2015, é comemorado hoje, 11 de fevereiro. O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) reforça o combate a um sistema que não é apenas desigual com as mulheres, mas também falho para a sociedade como um todo. Um relatório da McKinsey, de 2015, com base em 366 empresas de capital aberto, constatou que aquelas no quartil superior em diversidade de gênero tinham 15% mais probabilidade de apresentar retornos acima da média do setor.

A baixa representatividade feminina em STEM ( Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática em português ) não é apenas uma questão de equidade, mas também um entrave à inovação e ao desenvolvimento científico. Mesmo assim, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ( UNESCO ), apenas 33,3% dos pesquisadores no mundo são mulheres, e apenas 35% de todos os estudantes das áreas de STEM são mulheres. 

A diretora do SINTPq, Sheyla Camargos, comenta: “Ter uma equipe diversa é ter riqueza cultural, com olhares distintos que se complementam. Essa diversidade traz consigo experiências múltiplas em todo o processo construtivo e na resolução de problemas”. A baixa inclusão das mulheres revela-se também em esferas decisórias, em países do G20, apenas 1 em cada 10 líderes de STEM é mulher.

Giovanna Colombo, também diretora do SINTPq e ex-pesquisadora, relata sua experiência profissional: “Dentro da engenharia, éramos eu e mais algumas mulheres, mas, nos cargos de chefia, sempre foram, e continuam sendo, homens. As mulheres ainda ocupam uma minoria dos cargos mais altos". Giovanna ainda relata que trabalhava com uma amiga cuja pesquisa estava mais avançada do que a de seu chefe e que, mesmo assim, sua opinião não era tão respeitada.

O relatório publicado pela UNESCO aponta grandes disparidades na representação de homens e mulheres no campo da pesquisa científica. As mulheres enfrentam mais dificuldades para acessar financiamento e, em grandes empresas de tecnologia, continuam sub-representadas. O SINTPq avalia esse cenário como um risco, pois, além de prejudicar a pluralidade de contribuições, muitas inovações são desenvolvidas sem considerar as necessidades específicas das mulheres, como já ocorreu em áreas como saúde e segurança veicular.

Para ampliar a participação feminina em STEM, especialistas e organizações sugerem diversas estratégias, como estimular o interesse por ciência e tecnologia desde a infância, promover redes de mentoria e referências femininas, além de adotar políticas de inclusão e flexibilização no ambiente acadêmico e profissional. Todos os anos, são realizados eventos em diversos países, com atividades que visam dar visibilidade ao papel e às contribuições fundamentais das mulheres nas áreas de pesquisa científica e tecnológica.

O SINTPq atua na linha de frente para divulgar programas de incentivo à ciência, principalmente os que promovem igualdade e democratização do saber. Sendo que, um ambiente inclusivo e que valoriza a pluralidade de indivíduos é aquele que gera soluções abrangentes, que impulsionam um desenvolvimento econômico, sustentável e soberano do país.