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Inpa desenvolve sonda molecular para diagnóstico rápido da histoplasmose

05/01/2016

O Laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas (Inpa/MCTI) é o primeiro do mundo a desenvolver uma sonda molecular para aplicação em hibridização in situ fluorescente (Fish, na sigla em inglês) com o objetivo de obter o diagnóstico rápido – em até quatro horas – da histoplasmose. É uma técnica fácil de aplicar, que não exige mais do que equipamentos de laboratório padrão, incluindo uma incubadora e um microscópio de fluorescência.

A histoplasmose se manifesta, principalmente, em indivíduos imunocomprometidos (com reduzida atividade do sistema imunológico), como os pacientes com aids/HIV. No exame tradicional, o resultado do diagnóstico da doença demora até 25 dias.

Essa infecção grave é causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, presente nas fezes de morcegos e aves, como pássaros e pombos. O contágio ocorre pela inalação desse material suspenso no ar. Os sintomas variam desde uma infecção assintomática até febre, dor de cabeça, dor torácica, tosse, fraqueza, falta de ar e de apetite. O organismo da maioria das pessoas combate o fungo sem precisar de tratamento, dependendo do estado de saúde do indivíduo. Em outros casos, a doença oportunista pode levar à morte do paciente.

De acordo com o pesquisador do Inpa João Vicente Braga de Souza, doutor em biotecnologia industrial, a ferramenta veio para agilizar o diagnóstico da doença, que é a segunda causa de mortes em Manaus em pacientes imunocomprometidos. Segundo Braga, são registrados cerca de 20 a 30 mortes por ano.

Método tradicional

O diagnóstico microbiológico tradicional é baseado na avaliação microscópica de fluidos e tecidos, técnicas sorológicas e culturas, incluindo hemoculturas. Braga explica que a hemocultura é um método inespecífico para determinar a presença de patógenos em amostras clínicas. O diagnóstico normalmente é realizado pela leitura contínua em sistemas automatizados que detectam o crescimento de microrganismos.

Se as amostras forem positivas é necessário fazer exames posteriores para identificar o organismo presente na amostra. Para isso, é realizado um exame de coloração de Gram buscando identificar bactérias, seguido por subculturas em ágares para identificação de fungos.

"Essa avaliação tradicional para o diagnóstico de histoplasmose [subculturas] é lenta e pode durar entre dez e 25 dias para detecção do H. capsulatum", disse o biólogo Roberto Silva Junior, que desenvolveu a sonda na tese de doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em convênio com a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM). O estudo foi orientado por João Vicente Braga de Souza, responsável pelo Laboratório de Micologia do Inpa.

Roberto Silva explica que a sonda molecular é uma alternativa para o diagnóstico rápido da histoplasmose. Segundo ele, com a utilização da ferramenta não é preciso fazer a subculturas para identificação do histoplasma. Com aplicação de Fish em hemoculturas positivas é feita a identificação direta deste organismo não precisando mais da espera do crescimento em subculturas que leva em media 25 dias.

O Fish é uma técnica rápida, fácil de aplicar, não exigindo mais do que equipamentos de laboratório padrão, incluindo uma incubadora e um microscópio de fluorescência. A sonda molecular foi desenhada para utilização em Fish, tendo como alvo o fungo H. capsulatum. O objetivo do trabalho foi avaliar essa sonda em material de hemocultura pré-incubada para o diagnóstico rápido de pacientes com histoplasmose.

Fonte: Inpa