Nova NR-1 amplia foco na saúde mental e passa a exigir gestão de riscos psicossociais nas empresas
Regras começaram a valer no final de maio de 2026

As novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), entraram em vigor no final de maio, terça-feira (26), trazendo mudanças significativas para empregadores e trabalhadores de todos os setores da economia. A principal novidade é a inclusão obrigatória dos fatores de risco à saúde mental dos funcionários relacionados ao trabalho no processo de identificação, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.
A atualização da norma, aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), marca uma mudança importante na forma como as organizações devem lidar com a saúde e a segurança dos trabalhadores. Até então, os Programas de Gerenciamento de Riscos contemplavam apenas riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Agora, passam a incluir também aspectos que podem afetar a saúde mental dos profissionais.
Entre os fatores que deverão ser monitorados estão situações como sobrecarga de trabalho, metas excessivas, jornadas mal organizadas, assédio moral, violência no ambiente corporativo e falhas de comunicação. Segundo o MTE, esses elementos podem desencadear ou agravar problemas como estresse ocupacional, síndrome de burnout, depressão, transtornos de ansiedade e até doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho.
A nova exigência não prevê a realização de diagnósticos psiquiátricos nos trabalhadores. O foco da fiscalização e das ações preventivas está nas condições organizacionais que podem impactar a saúde mental das equipes. A orientação é que as empresas adotem mecanismos permanentes de monitoramento e gestão dos fatores de risco presentes no ambiente de trabalho.
Embora a norma já esteja em vigor, o governo estabeleceu um período inicial de 90 dias com caráter orientativo. Durante esse prazo, auditores fiscais deverão orientar as empresas sobre eventuais adequações necessárias. Após esse período, poderão ser aplicadas penalidades, incluindo multas e embargos, em casos de descumprimento.
Cabe aos trabalhadores denunciarem aos Sindicatos o descumprimento da NR -1, cujas denúncias podem ser inclusive anônimas, sendo que em nenhuma hipótese os dados serão revelados. Com a denúncia, o Sindicato poderá tomar as medidas judiciais e extrajudiciais para fazer com que o cumprimento da legislação ocorra.
A preocupação com o tema encontra respaldo nos números recentes da Previdência Social. Em 2025, foram concedidos mais de 546 mil benefícios previdenciários relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,6% em comparação com o ano anterior. Os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos lideraram as causas de afastamento do trabalho, evidenciando o impacto crescente das questões psicossociais na saúde dos trabalhadores brasileiros.
Nesse contexto, a nova NR-1 busca estimular uma atuação preventiva das organizações, incentivando a identificação precoce dos fatores que podem comprometer o bem-estar físico e emocional dos profissionais, reduzindo afastamentos e promovendo ambientes de trabalho mais equilibrados e produtivos.
Impacto
A Sodexo publicou em março de 2026 um estudo global, intitulado em português como: Criando Ambientes de Trabalho que Apoiam a Saúde Mental, onde consta que más condições de saúde mental e distúrbios cerebrais já ultrapassam US$5 trilhões em custos à economia global anualmente. O montante, de acordo com o estudo, pode atingir US$16 trilhões até 2030.
De acordo com a publicação, o declínio cognitivo, a ansiedade, a depressão, a síndrome de burnout e a demência são resultados interligados do estilo de vida, da exposição ao estresse e das condições ambientais ao longo do tempo. Nove pilares baseados em evidências sustentam a função cognitiva e o bem-estar mental e devem ser levados em consideração pelas empresas para a melhoria da saúde de seus trabalhadores. São eles: alimentação e nutrição, ambiente físico, conexão social, propósito e significado, atividade física, dormir, gestão do estresse, aptidão mental e cuidados médicos e preventivos.
O estudo conclui que, em nível mundial, se houver investimentos em intervenções para a saúde cerebral, o impacto pode ser de US$6,2 trilhões a mais até 2050 no PIB mundial.
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