Inflação volta a subir e IPCA atinge maior marca do ano

10/11/2021

Puxado pelo aumento do preço dos combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou pelo segundo mês consecutivo e atingiu mais uma marca histórica. O aumento de 1,25% divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (10) é o maior do ano e o maior índice para um mês de outubro desde 2002. O acumulado de 12 meses segue atingindo a marca de dois dígitos e registra 10.67%.

Todas as categorias subiram no último mês. As maiores variações são nos grupos de Transportes (2,62%), Vestuário (1,80%) e Artigos de Residência (1,27%). Em São Paulo, a situação dos transportes é ainda pior, com alta de 2,81% em outubro, maior alta do Brasil no segmento. O IPCA mede a inflação para famílias com renda de até 40 salários mínimos.

 

Inflação do mês - Setembro/21

Inflação do mês - Outubro/21

Acumulado 12 meses - Outubro/21

IPCA

1,16%

1,25%

10,67%

INPC

1,20%

1,16%

11,08%

IPC-FIPE

1,13%

1%

10,30%

 

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desacelerou, mas ainda atingiu a marca expressiva de 1,16% em outubro. Apesar do aumento menor que o 1,20% de setembro, o índice também é o maior para um mês de outubro desde 2002. Com o índice de 11,08%, o acumulado dos últimos 12 meses ultrapassou a marca de 11% pela primeira vez em cinco anos. O INPC mede o impacto da inflação sobre famílias com renda de até cinco salários mínimos.

IPC-FIPE

O IPC-FIPE voltou a desacelerar em outubro, marcado aumento de 1%. O acumulado dos últimos 12 meses também desacelerou, com aumento de 10,3%, menor que os 10,52% de setembro.

Mesmo com a desaceleração, duas categorias tiveram aumento de mais de 1%. Transportes, com 1,48% e Despesas Pessoais, com 1,96%. O índice mede a inflação somente para a cidade de São Paulo.

Cesta básica

De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que pesquisa o valor da cesta básica nas capitais, a cesta básica dos paulistanos subiu pelo quarto mês consecutivo e agora é a segunda mais cara do país, R$ 693,79, apenas atrás de Florianópolis, com R$ 700,69. A variação mensal foi de 3,02%, já o acumulado dos últimos 12 meses marca expressivos 16,43%. Confira mais detalhes abaixo.

São Paulo – números de outubro de 2021

  • Valor da cesta: R$ 693,79.
  • Variação mensal: 3,02%.
  • Variação no ano: 9,87%.
  • Variação em 12 meses: 16,43%.
  • Produtos com alta de preço médio em relação a setembro: batata (17,44%), tomate 14,50%), banana (4,72%), açúcar (3,98%), café em pó (2,76%), manteiga (2,54%), óleo de soja (1,76%), carne bovina de primeira (0,48%) e leite integral (0,39%).
  • Produtos com redução do preço médio em relação a setembro: farinha de trigo (-1,94%), arroz agulhinha tipo 1 (-0,74%), pão francês (-0,68%) e feijão carioquinha (-0,13%).
  • Jornada necessária para comprar a cesta básica: 138 horas e 46 minutos.
  • Percentual do salário mínimo líquido gasto para compra dos produtos da cesta para uma pessoa adulta: 68,19%.

Campanhas salariais

Apesar da disparada da inflação, o SINTPq e os trabalhadores têm conseguido a recomposição na maioria das empresas com data base em novembro. Entre as empresas que já apresentaram contraproposta, apenas uma não contemplou a inflação.

Daitan: Em assembleia realizada na segunda-feira (08), os trabalhadores da Daitan aprovaram por ampla maioria a contraproposta da empresa. Os salários serão reajustados em 12%, o que garantirá 1,33% de aumento real. Já o auxílio teletrabalho será ampliado de R$ 150,00 para R$ 170,00/mês.

CPQD: Com reuniões nos dias 8 e 10 de novembro, SINTPq e CPQD concluíram nesta semana a primeira rodada de negociações da campanha salarial. A contraproposta apresentada contempla o IPCA do período (10,67%) nos salários e benefícios. Além disso, como praticado em 2020, a empresa oferece um abono de R$ 1.600,00.

Syntech: Na quarta-feira (10), os trabalhadores rejeitaram em assembleia a contraproposta da empresa, que previa reajuste abaixo da inflação. Nos próximos dias, o SINTPq retomará as negociações junto à Syntech.