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A ciência prevalecendo sobre a política: a população confia nas informações dos cientistas

Muitos estão vivenciando, pela primeira vez, um evento que nos era desconhecido, pela escala e virulência, a não ser pelos livros de história que descreviam os horrores da peste negra e da gripe espanhola que mataram milhões de pessoas e dos filmes de ficção científica que têm a característica de antecipar, como um oráculo, o que pode acontecer no futuro.

É a pandemia do Corona 19!

Vírus foram descobertos pela ciência, ou mais precisamente pelo método científico, o mais adequado e belo para desvendar os processos que envolvem a natureza em suas inúmeras dimensões, do macrocosmos ao microcosmos.

No mais das vezes, infelizmente, o pensamento racional e científico é secundário, quando não irrelevante, na política.

Carl Sagan, em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, temia uma queda na ignorância e manifestou sua apreensão sobre um futuro em que “ninguém que represente o interesse público pode sequer entender os problemas”. Ele temia o surgimento de uma cidadania que é incapaz de distinguir entre “o que parece bom e o que é verdade” e, portanto, é vulnerável à pseudociência e à anticiência.

Será que é este o fenômeno que estamos assistindo por parte dos detentores do poder e parcelas de nossa sociedade?

O Sistema de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação de nosso país é constantemente alvo de ataques de todas as esferas: redução de recursos para o desenvolvimento de pesquisas e para a formação de profissionais na área; acusações de que não se sabe no que os recursos são aplicados; receio de que uma população esclarecida deixe de ser alvo da pseudociência; acusações de falta de indicadores e de divulgação, “mantras” bem típicos de países submetidos a interesses globalizados.

Não se conhece países capitalistas avançados e mesmo socialistas que desdenham de seus sistemas de produção de ciência e tecnologia como se faz aqui em nosso país.

O que falta, na verdade, é respeito por esses profissionais!!

Ciência e Tecnologia é questão de soberania, não são produto de mágica, nem se encontra nas prateleiras do supermercado. Precisam de altíssimos investimentos, de projetos de país, de compromisso com a sociedade, com políticas públicas que busquem a superação de desafios para se atingir um desenvolvimento sustentável: humano, educacional, ambiental, científico, tecnológico e industrial.

E precisa, mais que tudo, da ação do Estado, por meio de políticas públicas que apoiem esse Sistema que é um dos mais importantes da América Latina.

A pandemia do Corona 19 tem deixado isso claro!!

A ciência tem se sobreposto ao obscurantismo e até, pasmem, ao “Mercado” que, por sinal, não é algo natural e imutável, mas uma construção política e passível de transformação.

Temos a esperança de que, mais uma vez reportando-nos a Carl Sagan, ”se a ciência for um tópico de interesse e consideração geral, se seus encantos e consequências sociais forem discutidos com competência e regularidade nas escolas, na imprensa e na sala de jantar, teremos aumentado as possibilidades de aprender como o mundo realmente é, para melhorarmos a ambos, a nós e a ele”.

Não podemos agir com moderação.

Teremos de ter disposição para nos erguer e dizer “não” ao obscurantismo e ao desrespeito, unindo nossas almas, articulando nossas mentes e nossos corpos, que são muitos (Movimento Dream Defender - Em defesa dos sonhos).

Que a sociedade paulista e brasileira, refletindo sobre essa realidade difícil que enfrentamos, defenda seus Sistemas de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação.

Com os últimos acontecimentos vividos, achamos que isto já está acontecendo!! 


Régis Norberto de Carvalho – Diretor do SinTPq

Ros Mari Zenha – Presidente do Conselho de Representantes dos Profissionais do IPT - CRE

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