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Declarações de Mourão reforçam clima de perseguição no INPE

Desde janeiro, os focos de queimada no pantanal já destruíram mais o bioma do que nos últimos seis anos. Em 2019, as queimadas voltaram a se tornar uma preocupação recorrente para os brasileiros e órgãos ambientais de todo o mundo. Porém, para o governo federal o assunto não parece ser tão sério. A última polêmica aconteceu nesta semana, envolvendo o vice-presidente Hamilton Mourão, que afirmou haver manipulação na divulgação de informações do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Bolsonaro e sua equipe têm recebido críticas por mostrarem descaso com a situação ambiental do país. Em um vídeo que repercutiu nas redes sociais semana passada, Bolsonaro aparece rindo ao lado de uma criança enquanto falam sobre as queimadas. No dia 15, foi a vez do vice-residente Mourão tentar minimizar os danos das queimadas.

O INPE tem divulgado constantemente dados a respeito da devastação que as queimadas intensas causam. Entretanto, em entrevista, Mourão afirma que o INPE está omitindo dados positivos a respeito das queimadas. O vice-presidente alega que há um opositor do governo dentro do INPE que é o responsável pela divulgação dos dados negativos e omissão dos positivos, que, segundo ele, existem.

O SindCT (Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial) repercutiu e condenou as declarações de Mourão em seu site, defendendo os profissionais do instituto: "É preciso, mais uma vez e quantas vezes forem necessárias, reafirmar que o INPE é uma instituição de estado. No INPE não há oposição ou situação, há ciência de excelente qualidade. Quem fala pelo INPE são os dados e a melhor ciência usada para produzi-los. Fora disso, o que temos é uma tentativa de ideologização de um debate que tem por base os dados como representação dos fatos dentro dos marcos da melhor ciência". O SindCT também deixa o alerta para que os trabalhadores não compactuem com nenhum tipo de perseguição ou criminalização de colegas.

SINTPq

“O sindicato repudia qualquer intimidação, seja pelo governo ou indivíduos, ao trabalho científico e tecnológico dos institutos de pesquisas, como o INPE, que a duras penas publiciza os dados técnicos de desmatamento, com a idoneidade conquistada pela luta de gerações de pesquisadores e técnicos”, comentam a diretora do SINTPq e pesquisadora do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Priscila Leal. Ela ainda explica que a reivindicação da liberdade e independência da pesquisa científica no país é um direito cidadão e que, quando o governo ataca os institutos e fundações de pesquisa, é com intenção de retirar este direito. “Este governo quer ocultar nas trevas do obscurantismo as informações que são patrimônio do povo brasileiro”, finaliza Priscila.

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