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Em meio a cortes na ciência, Bolsonaro utiliza o Sirius como plataforma política

Presidente Jair Bolsonaro visita Sirius em Campinas (FOTO: Marcos Corrêa/PR Agência Brasil) Presidente Jair Bolsonaro visita Sirius em Campinas (FOTO: Marcos Corrêa/PR Agência Brasil)

Após decretar cortes em bolsas de pesquisa e no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o presidente Jair Bolsonaro utilizou o Sirius, obra de governos anteriores, como plataforma de marketing político nesta semana. Na quarta-feira, dia 21, Bolsonaro participou da inauguração da primeira linha de pesquisa do Sirius, superlaboratório de luz síncrotron de 4ª geração sediado em Campinas e de responsabilidade do CNPEM, instituição pertencente à base de representação do SINTPq.

Se declarando "apaixonado" pela estrutura, o presidente projetou a possibilidade da região se tornar um Vale do Silício da biotecnologia. As palavras entusiasmadas de Bolsonaro, entretanto, não condizem com a prática. Desde 2019, os mais importantes órgãos federais de financiamento a pesquisas, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estão sofrendo com cortes e ameaças constantes de inviabilidade financeira.

De acordo com matéria recente da Você S/A, a Capes já anunciou que 11.800 bolsas não serão renovadas, o que significa uma redução de 12%. Além disso, o orçamento da instituição caiu de 4,25 bilhões de reais para 2,2 bilhões em 2020.  

Em setembro de 2019, o CNPq chegou em uma situação crítica, ao anunciar que não teria recursos para seguir financiando 84 mil bolsistas até o fim do ano. Somente com o clamor da entidade e de diversos setores da sociedade civil, o governo voltou atrás e liberou R$ 250 milhões para a instituição. Apesar desse socorro na bacia das almas, o CNPq segue na corda bamba, com um futuro incerto e nebuloso.

Em matéria publicada em junho, o SINTPq denunciou como o desinvestimento na ciência prejudica as ações de combate à Covid 19. Sem uma política de Estado séria no setor, o Brasil tornou-se dependente de outros laboratórios e indústrias de insumos e equipamentos. E com a concorrência de vários países pela compra desses insumos, há menor oferta. O resultado é o aumento de mortes especialmente pela falta de equipamentos e insumos para testes e para o desenvolvimento de remédios e vacinas próprias.

SindCast #27 - CNPEM e Sirius na luta contra a Covid 19

O SindCast #27 aborda o papel do CNPEM e do Sirius no combate ao coronavírus. Para isso, temos um convidado especial: o diretor-geral do CNPEM, professor José Antônio Roque da Silva. Durante o programa, ele comenta a atuação do centro neste momento de pandemia, as pesquisas relacionadas ao vírus e os planos para o futuro. Enriquecendo o debate, o episódio também conta com o diretor do SINTPq e profissional do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Régis Norberto Carvalho.

 

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