Nova faixa de isenção do IR já melhora salário de 65% dos associados ao SINTPq
Levantamento do sindicato mostra que quase dois terços da base recebem até R$ 5 mil e já sentem no bolso os efeitos da ampliação da isenção do Imposto de Renda
Por Israel Moreira

Foto: Agência Brasil
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil já produz efeitos concretos na renda da maioria dos associados ao Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq). Dados atualizados pelo sindicato indicam que 64,9% da base sindicalizada se enquadra nesse patamar e passou a perceber, a partir dos salários pagos em fevereiro de 2026, a redução ou eliminação do desconto do imposto.
O levantamento mostra que mais de 600 trabalhadores e trabalhadoras representados pelo SINTPq estão nessa faixa de renda, o que reforça o impacto direto da medida no orçamento mensal da categoria. Instituições como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) concentram parcela significativa dos profissionais beneficiados.
Para o sindicato, os dados confirmam que a estrutura salarial da categoria está majoritariamente localizada em faixas que sentem de forma mais intensa os efeitos da inflação, especialmente sobre alimentação, transporte e despesas essenciais. Nesse contexto, a ampliação da isenção representa um alívio imediato e mensurável na renda disponível das famílias.
A diretora do SINTPq, Priscila Leal, avalia que a mudança já se traduz em melhora concreta no cotidiano dos trabalhadores. Segundo ela, o impacto mensal pode variar entre R$ 350 e R$ 550 para profissionais enquadrados nas faixas intermediárias. Esse valor, afirma, contribui para reorganizar o orçamento doméstico e reduzir a pressão sobre gastos básicos. Priscila destaca ainda que a medida beneficia milhões de trabalhadores em todo o país e corrige distorções históricas do sistema tributário, que penalizava proporcionalmente quem vive da renda do trabalho.
De acordo com a dirigente sindical, a forma de financiamento da ampliação da isenção também é um ponto central. A compensação por meio da taxação das altas rendas, prevista na legislação, garante neutralidade fiscal e favorece a redistribuição de recursos na economia. Para o SINTPq, trata-se de um passo relevante na construção de um sistema tributário mais justo, ainda que persistam desafios estruturais na distribuição de renda no Brasil.
A nova legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu a isenção total do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, além de descontos graduais para rendimentos de até R$ 7.350. A medida foi defendida pelo governo federal como instrumento de redução das desigualdades e valorização da renda do trabalho. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a atualização da tabela corrige defasagens acumuladas ao longo de anos e amplia a dignidade social de milhões de brasileiros.
O SINTPq avalia que o impacto positivo já percebido no salário de fevereiro reforça a importância da mobilização sindical e da defesa permanente da justiça tributária. Para o sindicato, a conquista não encerra o debate, mas aponta caminhos para novas lutas em defesa da valorização profissional e da renda da classe trabalhadora nos setores de pesquisa, ciência e tecnologia.
Mobilização sindical marca conquista da isenção
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda também vem sendo destacada pelas centrais sindicais como resultado direto da mobilização histórica da classe trabalhadora em defesa da justiça tributária. Entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais realizam uma semana nacional de atividades para marcar a entrada em vigor da medida e reforçar a agenda de mudanças no sistema tributário brasileiro.
As ações culminam no dia 5 de fevereiro, com o Dia Nacional de Mobilização, que inclui o Ato Unificado das Centrais Sindicais em São Paulo, além de iniciativas descentralizadas em diferentes regiões do país. A mobilização busca dar visibilidade à conquista e manter a pressão por novos avanços na tributação das altas rendas e na valorização do trabalho.
Para o presidente nacional da CUT, Sergio Nobre, a isenção do IR para salários de até R$ 5 mil representa uma vitória concreta, mas não encerra o debate. Segundo ele, a luta por justiça tributária continua sendo central para reduzir desigualdades e fortalecer a renda dos trabalhadores no país.
No dia 5, os atos em São Paulo estão programados para ocorrer a partir das 8h, em frente à empresa MWM Motores, na zona sul da capital, e às 10h30, na Baxter Hospitalar, também na capital paulista. As centrais afirmam que as mobilizações reforçam o caráter coletivo da conquista e o papel da organização sindical na defesa de políticas públicas voltadas à redistribuição de renda.











