Notícias | SINTPq denuncia articulação empresarial para adiar o fim da escala 6x1 e reforça defesa da redução da jornada

SINTPq denuncia articulação empresarial para adiar o fim da escala 6x1 e reforça defesa da redução da jornada

Após reportagem da Folha de S. Paulo revelar plano de entidades patronais para postergar votação no Congresso, sindicato reafirma que a luta é pelo fim da escala 6x1

24/02/2026

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Foto: FolhaPress

 

O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (SINTPq) alerta a categoria e a classe trabalhadora para a ofensiva organizada por associações empresariais, frentes parlamentares e setores patronais com o objetivo de frear e adiar o fim da jornada 6x1, modelo que impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. A movimentação, revelada pela Folha de S. Paulo, inclui estratégias para postergar a votação da proposta para depois das eleições, promover campanhas públicas contra a mudança e apresentar alternativas que mantêm a lógica de intensificação da exploração.

Segundo a reportagem, empresários articulam três frentes de atuação: alongar o debate no Congresso Nacional para empurrar a votação para após o período eleitoral, produzir estudos e campanhas para questionar a redução da jornada e propor medidas alternativas, como desoneração da folha ou ampliação do pagamento por hora trabalhada.

Para o SINTPq, trata-se de uma reação organizada ao avanço de uma pauta histórica da classe trabalhadora: o direito a dois dias de descanso semanal e a redução da jornada sem redução de salários. A discussão ganhou novo impulso após o governo federal sinalizar o envio de projeto ao Congresso e com a tramitação de urgência na proposta de emenda constitucional que prevê mudança no regime atual.

O sindicato ressalta que a jornada 6x1 é um modelo que compromete a saúde física e mental dos trabalhadores, limita o convívio familiar e social e amplia o desgaste profissional. Em um país marcado por longos deslocamentos, sobrecarga e baixos salários, a manutenção dessa escala aprofunda desigualdades e precariza as condições de vida.

A tentativa de adiar a votação sob o argumento de “debate técnico” revela, na prática, uma estratégia política para esvaziar a mobilização social e reduzir a pressão popular sobre o Congresso. O SINTPq reafirma que a redução da jornada é uma medida civilizatória, compatível com ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas e com a necessidade de distribuir melhor o tempo de trabalho e a geração de empregos.

Historicamente, cada avanço na limitação da jornada foi resultado de organização coletiva, pressão sindical e mobilização social. A jornada de oito horas, o descanso semanal remunerado e as férias não foram concessões espontâneas do setor patronal, mas conquistas construídas na luta.

O SINTPq convoca a categoria a acompanhar a tramitação no Congresso, fortalecer o debate nos locais de trabalho e somar-se à mobilização nacional pelo fim da escala 6x1. A redução da jornada não é pauta eleitoral, é direito social. A classe trabalhadora não pode pagar com sua saúde e seu tempo de vida a conta de um modelo econômico que concentra renda e amplia a exploração.

 

Ranking seletivo e a narrativa da “preguiça nacional”

No mesmo contexto em que avança o debate sobre o fim da escala 6x1, a edição de 22 de fevereiro da Folha de S. Paulo publicou reportagem afirmando que o “brasileiro trabalha menos que a média mundial”, a partir de ranking internacional de horas trabalhadas. A abordagem foi apresentada em meio à intensificação da discussão sobre a redução da jornada no Congresso Nacional.

Para o SINTPq, a leitura difundida desconsidera elementos estruturais centrais da realidade do trabalho no Brasil, como a elevada informalidade, as horas extras não remuneradas, a multiplicidade de vínculos precários e o tempo exaustivo gasto em deslocamentos diários nas grandes cidades. A simples posição em um ranking não traduz a complexidade das condições concretas de vida da classe trabalhadora.

Ao destacar a colocação do país sem contextualizar desigualdades sociais, infraestrutura limitada e ausência de políticas industriais consistentes, a narrativa desloca o foco do debate. Produtividade não se resume à ampliação da jornada. Ela depende de investimento público, tecnologia, qualificação profissional, organização do trabalho e planejamento de desenvolvimento econômico.

Historicamente, cada avanço na limitação da jornada foi resultado de organização coletiva, pressão sindical e mobilização social. A jornada de oito horas, o descanso semanal remunerado e as férias não foram concessões espontâneas do setor patronal, mas conquistas construídas na luta.

Transformar sobrecarga histórica em suposta “preferência por lazer” não é análise neutra, mas construção ideológica que busca fragilizar uma reivindicação social legítima. O debate sobre redução da jornada deve considerar a realidade material dos trabalhadores brasileiros e não comparações isoladas que ignoram contexto econômico e social.