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Amazul propõe comum acordo, mas segue com ameaças

06/02/2020

Em reunião negocial na tarde de ontem, dia 5, a direção da Amazul informou que concederia o comum acordo a fim de evitar nova mobilização grevista. A atitude poderia ser extremamente positiva, pois encaminharia o Dissídio Coletivo sem a necessidade de paralisação das atividades. Entretanto, a empresa não garantiu a continuidade dos benefícios até o julgamento do processo.

Sem essa garantia, a Amazul fica em posição confortável. Abre margem para o dissídio com comum acordo, evitando assim a greve, mas segue ameaçando os trabalhadores com o corte dos benefícios em março. 

Ao contrário do que a empresa pensa, o comum acordo não evita greve. O que realmente acabaria com a necessidade de movimento grevista seria a manutenção dos benefícios até o julgamento do dissídio. Tal atitude não traria novo impacto financeiro para a empresa, pois os salários e benefícios seguiriam sem reajuste nesse período. Isso mostra que a estratégia da Amazul é ameaçar e prejudicar os trabalhadores, instaurando o caos na empresa.

Nas assembleias de terça e quarta-feira, os funcionários deliberaram por indicativo de greve para a primeira semana de março, especificamente no dia 5, com assembleia na entrada do expediente para discutir e deliberar a mobilização e os encaminhamentos da campanha salarial. Seguindo essa decisão, o sindicato tomará as seguintes atitudes:

  • • Ajuizamento de Dissídio Coletivo com comum acordo da empresa, uma vez que a Amazul ameaça cortar os benefícios em março de qualquer forma, havendo dissídio ou não. Portanto, não há motivo para adiar o processo.
  • • Continuidade das tratativas visando convencer a empresa a manter os benefícios e, dessa forma, evitar a greve.
  • • Caso a Amazul não aceite as tentativas de diálogo e corte algum benefício, ações jurídicas serão tomadas de imediato, buscando a manutenção de todos os benefícios.
  • • Assembleias em São Paulo e Iperó no dia 5 de março, na portaria das duas unidades, na entrada do expediente. Nelas, os trabalhadores poderão decidir pela conversão do processo em Dissídio Coletivo de Greve, com início da paralisação. Os encaminhamentos serão debatidos conjuntamente e todos os presentes poderão manifestar suas opiniões. Portanto, a presença de todos é fundamental.

Neste momento, é fundamental que os trabalhadores sigam mobilizados, pois pode-se dizer que a greve será inevitável caso a empresa realmente corte os benefícios. É hora dos trabalhadores avaliarem se pretendem seguir com esse tipo de tratamento nas próximas campanhas salariais. Ceder às ameaças agora abrirá margem para que a empresa siga a mesma estratégia de ameaças nos próximos anos.

A direção da Amazul alega falta de recursos enquanto realiza concurso para contratar profissionais com salários mais altos que os atuais. Até quando essa falta de respeito continuará? Fica claro que essa luta não envolve apenas reajuste e benefícios, mas também a dignidade e o respeito a cada trabalhador e trabalhadora.

Entenda o caso

As condições oferecidas pela empresa garantem apenas 50% do INPC como reajuste salarial. Tal proposta é inviável, pois está muito aquém do índice medido no período, que corresponde a 4,48%. Além disso, essa correção não contemplaria os benefícios econômicos. 

Apenas a questão do reajuste salarial já torna a contraproposta inaceitável, mas os ataques não param por aí. Caso as condições apresentadas sejam aprovadas, os funcionários perderão os seguintes benefícios:

  • • Complementação salarial por afastamento;
  • • Um dia de folga em caso de falecimento dos sogros;
  • • Possibilidade de compensação de um dia por mês para os trabalhadores resolverem assuntos de seu interesse;
  • • Pagamento de horas extras para os turnistas quando não usufruírem dos intervalos para refeição e descanso (substituindo as horas por indenização financeira sem impacto nas férias, 13º e FGTS).

Devido ao fim da ultratividade, decretado pela reforma trabalhista de 2017, a empresa ameaça constantemente cortar todos os benefícios atualmente praticados, uma vez que a validade do Acordo Coletivo de Trabalho terminou em 31 de dezembro.

Sobre a Amazul

A Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. – Amazul foi constituída em 2013 com o objetivo de promover, desenvolver, transferir e manter tecnologias sensíveis às atividades do Programa Nuclear da Marinha (PNM), do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e do Programa Nuclear Brasileiro (PNB). Seu objetivo primordial é apoiar o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear, além de contribuir com pesquisas em radiofármacos. Hoje, a empresa conta com aproximadamente 1.800 funcionários.