Relatório do Dieese mostra perfil das greves no 1º semestre; confira o cenário na categoria

16/09/2021

Greve na Amazul, realizada em março de 2018, reuniu centenas de trabalhadores em São Paulo e Iperó durante três dias de paralisação

O perfil das greves no primeiro semestre ratifica um perfil predominante nos últimos anos, das chamadas paralisações defensivas, aquelas deflagradas por descumprimento de acordo ou por manutenção de direitos. Segundo levantamento divulgado pelo Dieese, 92% das greves “incluíram itens de caráter defensivo na pauta de reivindicações”. Assim, o cenário “parece acenar para a permanência de um longo tempo de dificuldades”.

No total, o instituto acompanhou 366 paralisações de janeiro a junho, sendo a maior parte (69%) no setor privado, com predominância do setor de serviço. A análise apontou ainda movimentos de curta duração e por empresa. De acordo com o Dieese, a maioria das greves (55%) no primeiro semestre terminou no mesmo dia em que foram deflagradas. Só 12% passou dos 10 dias de duração. Predominaram as paralisações em um local de trabalho (67%), ante 32% de categorias profissionais.

Apenas 65 greves tinham informações disponíveis sobre o número de trabalhadores envolvidos. Destas, 71% reuniram no máximo 200 grevistas. Já as paralisações com mais de 2 mil trabalhadores representaram só 1,5% do total. As reivindicações mais frequentes foram relacionadas a pagamento de salários atrasados, além de férias e 13º: 42% do total. Em seguida, com 28%, estava a exigência de melhores condições de segurança, principalmente no aspecto sanitário, um efeito da pandemia de Covid-19.

No setor privado, 95% das greves tiveram itens de caráter defensivo, com destaque para pagamentos em atraso. Nas estatais, esse número ficou próximo (93,5%), caindo um pouco entre o funcionalismo público (82,5%).

Confira aqui a íntegra do estudo.

SINTPq: Histórico recente de greves na categoria

• 2021
Greve no IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
2 dias de paralisação | 26 e 27 de julho
Reivindicação: Correção inflacionária pelo IPC-FIPE (8,51%) em função do instituto insistir na proposta de 0% de reajuste
Resultado: O movimento cumpriu seu objetivo e possibilitou a instauração de Dissídio Coletivo de Greve. O processo transcorre no TRT (Tribunal Regional do Trabalho)

• 2019
Greve na Amazul - Amazônia Azul Tecnologias de Defesa
1 dia de paralisação | 21 de março/19
Reivindicação: Correção inflacionária pelo IPCA (3,75%), uma vez que a empresa apresentou proposta abaixo do índice
Resultado: O movimento cumpriu o objetivo de instaurar Dissídio Coletivo de Greve. Após decisão do TRT, os trabalhadores receberam 2,5% de reajuste, mas o sindicato segue pleiteando a diferença para o IPCA em processo no TST (Tribunal Superior do Trabalho)

• 2018
Greve na Amazul
3 dias de paralisação | 13, 14 e 15 de março/18
Reivindicação: Correção inflacionária pelo IPCA (2,94%). A empresa ofereceu 0%.
Resultado: Após instauração de Dissídio Coletivo de Greve, os trabalhadores conseguiram o reajuste em decisão favorável do TST

*Com conteúdo de Redação CUT